O remédio Truvada, que prenive HIV, foi registrado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
Isso não significa, porém, que a droga
passará automaticamente a ser usada no país para tratamento de pacientes
com HIV ou indicada antes de relações sexuais desprotegidas com
parceiros soropositivos ou com situação sorológica desconhecida. “O
governo precisa discutir qual estratégia será adotada para o medicamento
e chamar a sociedade para esse debate”, diz Jorge Beloqui, do Grupo
Incentivo à Vida de São Paulo.
No início deste mês, uma comissão ligada
ao FDA recomendou a indicação do uso da droga, uma combinação de
tenofovir com emtricitabina na prevenção da Aids. Isso permitiria que
pessoas não contaminadas pudessem manter relações com soropositivos sem
usar preservativo.
O remédio já é usado em vários países no
tratamento de pacientes com Aids. Se a autorização for concedida pelo
FDA, a fabricante poderá também indicar o remédio para prevenir a
infecção. O Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do Ministério da
Saúde afirmou que o registro da Anvisa não modificará, no momento, a
estratégia brasileira de combate à doença.
Sobre o medicamento
O Truvada, comercializado desde 2004, é a
combinação de outras duas drogas mais antigas no combate do HIV,
Emtriva e Viread. Os médicos normalmente receitam a medicação como parte
de um coquetel que dificulta a proliferação do vírus, reduzindo as
chances da Aids se desenvolver.
A capacidade de prevenção do Truvada foi
anunciada pela primeira vez em 2010 como um dos grandes avanços médicos
na luta contra a epidemia de Aids. Um estudo de três anos descobriu que
doses diárias diminuíam o risco de infecção em homens saudáveis em 44%,
quando acompanhados por orientação e o uso de preservativo.
Outro estudo descobriu que o Truvada
reduziu a infecção em 75% para casais heterossexuais em que um dos
parceiros tinha o HIV. O remédio já está no mercado para tratar a
doença, mas sob a prescrição médica em casos específicos. A aprovação do
FDA permitiria a empresa Gilead Sciences, dona da medicação, de vender a
droga formalmente nas condições estabelecidas pelo órgão.
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